18.7.06

FOTOS DE ÁFRICA - BESSA MONTEIRO - ACONTECIMENTOS


MESSE DE OFICIAIS, NATAL DE 1971, CONSOADA DE LAGOSTA DO RIO MBRIDGE


1972 - CASA DO ADMINISTRADOR, MOMENTO DE DESCONTRACÇÃO

1971 - MESSE DE SARGENTOS, A COMEMORAR O ANIVERSÁRIO DO ALFERES PACHECO


1971 - TREINO DE TIRO DE MORTEIRO, COM O ALFERES FORTES A VERIFICAR A PONTARIA


PISTA ONDE SE PODE VER O AVIÃO DA CERVEJA NOCAL E O AVIÃO DO REABASTECIMENTO
PREPARAÇÃO DA COLUNA PARA O REABASTECIMENTO A AMBRIZETE
 A CAMINHO DO REABASTECIMENTO

REAB. EM AMBRIZETE. POR TRÁS ESTÁ A PENSÃO DA MADRINHA.
EM PRIMEIRO PLANO ESTÁ O ALF NOVO

1971 - REUNIÃO COM A POPULAÇÃO DEPOIS DE UM EXERCÍCIO DE DEFESA CIVIL




  
1972 - CARNAVAL AÇOREANO DA ILHA TERCEIRA




















ENREDO DA DANÇA DE CARNAVAL DOS AÇORES
 DANÇA DA ESPADA
CCAÇ 2677 – BESSA MONTEIRO, 1972

             1ª PARTE
   «MESTRE»                                  
Boa tarde lindas rosas
Deste Jardim em botão
Que são as mais preciosas
Das madrugadas de Verão

   «CORO»
Boa tarde ó Pessoal
Deste jardim excelente
Já chegou o Carnaval
Para alegrar toda a gente

   «MESTRE»
Eu louvo as Moças belas
Em coros de andorinhas
As casadas e donzelas
Viúvas e criancinhas

   «CORO»
Boa tarde ó Pessoal
Deste jardim excelente
Já chegou o Carnaval
Para alegrar toda a gente

   «MESTRE»
Povo escutai um momento
Não vou-me causar mistérios
Que eu aqui vos apresento
É Trampas e Homens sérios

   «CORO DOS TRAMPAS»
Somos Trampas a valer
Na vida queremos gozar
Só tratamos de comer
E beber sem trabalhar

   MESTRE                                           
Também gosto de ser Trampa
Bonita vida no mundo
Até ir para a fria campa
Serei sempre um vagabundo


   CORO DOS SÉRIOS
Oh meu Deus que tais Mistérios
Oh que canalha indecente
Nós cá somos Homens sérios
Vivemos honradamente

   MESTRE
Eu gosto é de gente séria
Os Trampas não valem nada
Hão-de morrer na miséria
Com a língua pendurada

   CORO DOS TRAMPAS
Somos Trampas é verdade
Vivemos na vida airada
Hoje em dia a seriedade
Anda muito procurada

   MESTRE
Dentro em mim há um mistério
Que aos dois lados dou razão
Dou para ser um homem sério
E para ser um trastalhão

   CORO DOS SÉRIOS
O homem que é cidadão
Que é honrado e bem posto
Só trabalha e come o pão
Com o suor do seu rosto

   MESTRE                                          
Este assunto interessante
De uma mulher que é casada
Namorava um amante
E quer-se fazer honrada

= COMEÇO DO ENREDO =

   «O TRAMPA DIZ À ALCOVITEIRA»
Escuta Tia Maria
Vais ter com a Rosinha
Diz-lhe que eu ao meio dia
Vou-me ao Atalho da Vinha
Diz-lhe que ela use cautela
E que veja se chega à janela
Que eu quero-lhe dar uma palavrinha

   «RESPONDE A ALCOVITEIRA»
Pois sim eu vou-me a caminho
Para ela ficar descansada
Vocês falam um bocadinho
Quando passares pela Canada
Pois até às vezes eu fico tola
O Marido é um cebola
É cego e não dá por nada

   «RESPONDE O TRAMPA JOÃO»
O Marido não conta nada
Por causa dele não há perigo
E ela é desembaraçada
Sabe disfarçar o artigo
Vai dizer àquela querida
Que eu quero-lhe bem pela vida
E ela há-de fugir comigo

   «A ALCOVITEIRA DIZ À ROSINHA»     
Falei com o teu amorzinho
Ele manda-te avisar
Disse-me que daqui a bocadinho
Está por aqui a passar
Disse-me tanta coisa bela
Disse-me que te ponhas à janela
Que quer contigo falar

   «A ROSINHA RESPONDE»
Que me dizes Tia Maria
Conta-me que eu quero saber
Fico doida de alegria
Inquieta para o ver
Já tenho o juízo perdido
Quando me fala naquele querido
Eu fico toda a tremer

   «O TRAMPA ANASTÁCIO DIZ AO TOBIAS»
O velhaco do João
Arranjou uma mulher bela
A gente ficamos sem quinhão
Nem casada nem donzela

   «O TOBIAS RESPONDE»
Eu para a verdade te falar
Gostava bem de arranjar
Uma galinha como aquela


   «O RATÃO»
Ela engana o Pobrezinho
Com o diabo da Alcoviteira
Ele já bebeu o chazinho
Que lhe entonteceu a mioleira
Eu vou dizer àquele Toleirão
Que agarre num bordão
E lhe dê cabo da chaleira

   «A ALCOVITEIRA DIZ AO JOÃO»    
Já fui dizer à Rosinha
O que lhe mandaste dizer
Ela ficou tão contentinha
Com o peito a tremer
Ela diz que não tenhas demora
E que vás agora
Que é para o marido não ver

   «O TRAMPA JOÃO RESPONDE»
Nada de agonias
Que tudo se vai fazer
Daqui a pouco estou a andar
Para a minha querida ir ver

   «E A ALCOVITEIRA RESPONDE»
Olha não tenhas demora
Que o marido é um Caifora
Só presta para comer

   «O ANASTÁCIO DIZ AO TOBIAS»
Vê o que são Mulherzinhas
Não sei se deitas sentido
Fazem-se muito sériazinhas
São o demónio revestido

   «RESPONDE O TOBIAS»
Fazem-se muito de respeito
E andam pregando a eito
As bandeiras no marido

   «O RATÃO DIZ AO JOAQUIM»
Joaquim escuta-me agora
E peço-te que me prestes atenção
Olha que a tua Mulher namora
Um Trampa um Trastalhão
E se não te souberes acautelar
Estou vendo que neste andar
Não tardas em Capitão
   «RESPONDE O JOAQUIM AO RATÃO»  
Não sejas mentiroso
Nem me faltes à verdade
Grande patife aleivoso
Eu te chamo à responsabilidade
Sai-te cão cheio de murrinha
Que a minha querida Rosinha
É o mar de seriedade

   «A ROSINHA PERGUNTA AO MARIDO»
Que te disse aquele malvado
Que tudo eu escutei
Merecia ser afogado
Que gritasse aqui d’El Rei

   «E O MARIDO RESPONDE»
Disse-me aquele tratante
Que tu tinhas um amante
Mas eu não acreditei

   «FALA O RATÃO»
Olha aquele Boca aberta
Pensa que a Mulher é fiel
Muito fala pouco acerta
Está fazendo mau papel
E vejo que é do seu gosto
Gosta de subir o posto
Com galões de Cornel

   «O TRAMPA JOÃO DIZ À ROSINHA»
Oh minha querida Rosinha
De te beijar quem me dera
És a flor mais delicadinha
Que nasce na primavera

   «E ELA RESPONDE»
Vem cá querido João
Que eu estou aqui no Baloiço
Há tempos à tua espera

   «O TRAMPA TORNA A FALAR»  
É preciso deitar sentido
Não venha alguém pela estrada
Que não chegue teu Marido
Que venha fazer traziada



   «E ELA RESPONDE»
Podes estar descansado
Porque aquele atolaçado
Não quer acreditar em nada

   «O RATÃO VAI BUSCAR O JOAQUIM E DIZ-LHE»
Aqui trazer-te me requer
Porque apanhei a maldade
Tu dizias que a tua Mulher
Que era o Mar da Seriedade
Tu precisas é de uns antrolhos
Vê agora com os teus olhos
Se é mentira ou verdade

   «O JOAQUIM RESPONDE»
Aquilo é por conhecimento
Aleivoso, aldrabão
E pelo atrevimento
Vou-te fechar numa prisão
Retira-te má criatura
Que a minha Mulher é pura
Como aquelas que o são

   «DIZ A ALCOVITEIRA AO RATÃO»
Retira-te laparoso
Não és mais do que um cão
Grande patife aleivoso
Merecias um bofetão

   «RESPONDE A ROSINHA»
Sai-te velho do diabo
Que eu vou-te cortar o rabo
Para tu ficares rabão

   «O RATÃO DIZ À ALCOVITEIRA»  
Cala-te Alcoviteira
Que de tudo és capaz
Essa boca de ratoeira
Hei-de esgaça-la até atrás
E o Marido coitadinho
Anda muito contentinho
Com aquilo que a Mulher faz

   «O JOÃO VAI TER COM A ROSINHA»
Aquele velho Caifora
Que veio para aqui brigar
Era cortar-lhe a língua fora
Para ele se calar
Eu estou vendo tudo em perigo
Tu hás-de fugir comigo
Para isto se acabar

   «DIZ A ROSINHA AO AMANTE»
Meu coração só te adora
Em nada mais quero pensar
Acompanho-te mesmo agora
E deixo o povo falar
Meu querido Joãozinho
Dá-me cá o teu bracinho
E meu Marido fica a cheirar

   «O ANASTÁCIO DIZ AO TOBIAS»
Ela fugiu ao Marido
Vê lá tu o que acontece
Ele agora fica perdido
E se calhar endoidece

   «RESPONDE O TOBIAS»
E não toca nada à gente
Eu ficava bem contente
Se a Alcoviteira me quisesse

   «JOAQUIM DÁ POR FALTA
   DA MULHER E SAI GRITANDO»  
Ajude-me quem poder
Valha-me nossa Senhora
Que a minha querida Mulher
Sai-me de casa agora
Eu tinha-me tanto por ela
E aquela grande cadela
Desprezou-me e foi-se embora

   «O HOMEM SÉRIO DIZ-LHE»
Eu vi-os ambos passar
Iam no maior regalo
Ela só queria namorar
Era cortar-lhe o gargalo
Atrevida foi-se embora
E o Tio ficou agora
Nem a pé nem a cavalo

   «DIZ O RATÃO»
E tu zangaste comigo
E eu nunca te desejei mal
Agora para teu castigo
Sofres uma dor tal
Tinhas uma boa posição
Tu já eras Capitão
E subiste a General

   «DIZ A ALCOVITEIRA AO
   MARIDO DA ROSINHA»
Eu estou mesmo embaçada
Da Rosinha se fancar à vela
Não se importou de mais nada
Tratou de dar à canela

   «ELE RESPONDE-LHE»
E tu ó Maria
O bem que a gente fazia
Ficavas cá no lugar dela

   «TORNA A ALCOVITEIRA»  
Isto era uma felicidade
Eu tomar novo estado
Se for de tua vontade
É muito do meu agrado

   «TORNA O JOAQUIM»
Este mundo não é eterno
Mas nestes dias de Inverno
Vou-me morrer encarrilhado

   «DIZ-LHE A ALCOVITEIRA»
Ainda me podes deixar
Porque ela é bonita e bela
Eu contigo vou-me juntar
Mas olha toma cautela

   «ELE RESPONDE-LHE»
Está lá gozando à farta
Pode ir para o raio que a parta
Que não quero saber mais dela

   «O TRAMPA JOÃO RESPONDE»
Eu nunca quis trabalhar
Sempre poupei minha pessoa
Ando por cá a gozar
Sou um trastalhão à toa
Muito bem arrecadei
Sou Trampa mas arranjei
Uma galinha bem boa


   «DIZ O ANASTÁCIO AO TOBIAS»
Ele é Trampa mas arranjou
Sem precisar tomar conselhos
Eu também um Trampa sou
E vejo-me àqueles espelhos

   «RESPONDE O TOBIAS»
A nossa fortuna é pouca
E a gente ficamos com a boca
A saber a ferros velhos

   «TERMINANDO O RATÃO DIZ»  
Isto é mesmo uma borracheira
Que não tem explicação
E coisas desta maneira
Não se fazem nem a um cão
A má sorte continua
Cada qual ficou com a sua
E eu fiquei sem quinhão

«AGORA SEGUEM OS VERSOS DE TERMINAÇÃO»

A Rosa foi-se embora
Deixou de qualquer maneira
O Marido fica agora
Com a pobre da Alcoviteira

«CORO»

Adeus rapazes
Vamos partir
Dias de festa
Tudo a rir
Adeus raparigas
Adeus em geral
Adeus, adeus
São dias de Carnaval

«MESTRE»
Ela só queria gozar
Deixou o marido de mão
Enfim para se ajuntar
Com seu amante João

«CORO»
   
«MESTRE»
A todos peço perdão
Da nossa fraca dansinha
O velhaco do João
Ficou lá com a Rosinha

«CORO»

«MESTRE»
As festas carnavalescas  
É uma festa genial
É tradição gigantesca
Das aldeias de Portugal

«CORO»

«MESTRE)»
Na praia tem um batismo
Nas páginas da nossa História
Viva Angra do Heroísmo
Viva a Praia da Vitória

«CORO»

«MESTRE»
Boa tarde lindas flores
Boa tarde em geral
Estes rapazes dos Açores
Desejam um bom Carnaval

«CORO»

«MESTRE»
O assunto terminou
Já vos estamos a maçar
Aquele que não gostou
Peço para nos desculpar
               FIM

Versos conseguidos pelo Domingues de Sousa Rodrigues do 3º Pelotão num Enredo da Serreta e depois passados a papel pelo João Nogueira Ponceano.
A música foi adaptada pelo, Manuel Eduardo de Oliveira Quaresma (3º Pel), Albino da Rocha Espínola (3º Pel) e António Gonçalves Santos (Cripto)

PERSONAGENS:
- MESTRE ou Puchador: António Martins Castro
- TRAMPA JOÃO: Domingos de Sousa Rodrigues
- TRAMPA ANASTÁCIO: Elvino António Machado Inácio
- ALCOVITEIRA: Agnelo Lima da Rocha
- ROSINHA: João Nogueira Ponceano
- TOBIAS: Manuel Nélio Barcelos Oliveira (camaradagem)
- MARIDO JOAQUIM: ainda não se sabe
- RATÃO: Urbelo Fernando Leal Pereira
- AMANTE: Domingos de Sousa Rodrigues (3°pelotão)

- SÉRIO: Pedro Cabral Machado


5FEV72 - CONVÍVIO NUMA NOITE DE FADOS, VÊM-SE OS "ALFERES" MAROTE, SANTOS ( que estava de reforço à nossa Companhia), FURRIEL CASANOVA FERREIRA ( que estava de reforço à nossa Companhia) E ESTÁCIO

CONVÍVIO
FEV72 - O "FURRIEL" BARROS A CANTAR E O "1ºCABO" QUARESMA A DEDILHAR



CAMPO DE FUTEBOL
CAMPO DE FUTEBOL
ALFREDO BARROS E O ALVÉLOS
EQUIPA DE FUTEBOL DA ILHA DO FAIAL


FORTES, PACHECO, DR. ALVIM SERRA, ESTÁCIO, 
MAROTE, SANTOS, ?, ?, ?, ?

FORTES, DR. ALVIM SERRA, PACHECO, ESTÁCIO E MAROTE

GRANDE PARTIDA

VENDA DE CAFÉ






1 comentário:

Carlos Alves disse...

Boa noite amigos. Estive com vocês em Bessa Monteiro (C.Caç. 3437) e como fazem parte do livro que escrevi nessa altura e foi (só) agora publicado, convido-os a visitarem a página do Face Book:

https://www.facebook.com/carlosalvesautor